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set 22

Capitão Mistério Apresenta:

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Na década de 60 os filmes de horror estavam em voga fato que perdurou até o final dos anos 70 sendo retomado mais tarde. Mas foi na década de 70 que a Marvel Comics investiu pesado em publicações de horror: Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider), A Tumba de Drácula (The tomb of Dracula), Lobisomem (Werewolf by Night), Frankenstein (Frankenstein), A Múmia Viva (Supernatural Thrillers featuring The Living Mummy), fora a leva de personagens gerados em outras revistas: O Filho de Satã, Simon Garth o Zumbi, O Exorcista, Satanna, Irmão Vodu, Morbius o Vampiro Vivo, Homem-Coisa, Blade, Lilith a Filha de Drácula, entre outros.

tumbadedraculaNesta mesma época a editora Bloch vivia seus dias de glória, a revista de notícias Manchete ainda era líder de mercado entre outras diversas publicações voltadas para o público adulto, quando Adolfo Bloch voltou seus olhos ao público infanto-juvenil adquirindo os direitos de publicação da Marvel Comics, que até então pertenciam a EBAL e consequentemente a linha de hq´s de horror (que até então eram desconhecidas no Brasil), salvo pela tentativa da Editora Saber em publicar O Túmulo do Conde Drácula (The tomb of Dracula).

No lugar do tradicional cachorrinho no selo de suas revistas infanto-juvenis a Bloch optou por uma imagem dum sujeito mascarado vestindo sobretudo e chapéu com uma lua cheia e um morcego ao fundo, nascia o selo Capitão Mistério: Formatinho, colorido e com uma média de 68 páginas por edição, a Bloch digo Capitão Mistério inundou as bancas brasileiras com os títulos: Aventuras Macabras, Sexta-Feira 13, A Tumba de Drácula, Lobisomem, A Múmia Viva, Frankenstein, Cine-Mistério, Clássicos do Pavor, Histórias Fantásticas e Motoqueiro Fantasma.

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Além das histórias extraídas das publicaçõs já citadas acima, também era utilizado o material das revistas Tower of Shadows, Monsters on The Prowl, Chamber of Chills, Crypt of Shadows, Vault of Evil e Chamber of Darkness, o qual se consistia em histórias curtas no estilo das publicas pela E.C. Comics, escritas e desenhadas por artistas como Jack Kirby, Steve Ditko, Stan Lee, Alfredo Alcala, Gene Colan, John Buscema, Chris Claremont, Don Perlin, Howard Chawkin, Doug Moech, Frank Springer, Jim Steranko, Esteban Maroto, Gil Kane, Rich Buckler, Herb Trimpe entre outros. Inicialmente de forma tímida a Bloch inseria pequenas histórias curtas de uma página apenas feitas por artistas brasileiros, ou pequenas quadrinizações de contos de terror, tornando a prática mais frequente com o passar do tempo até que em casos como Frankestein, A Múmia Viva, Lobisomem e Tumba de Drácula, passarem a ser editadas com material nacional em 100% de suas páginas. Lembrando que poucas vezes as histórias tinham os créditos do roteirista e do desenhista.

As páginas centrais sempre traziam um poster p/b duma cena extraída de algum filme de horror, devidamente acompanhado por uma ou mais matérias sobre as novidades em cartaz como os filmes Blácula, O Santo Contra a Filha de Frankenstein, Fase IV – Desruição, entre outros, ou alguma matéria relativa ao gênero como: Drácula está vivo!, Saudosos Caninos, Mistérios da Macumba, etc… As fotos raríssimas vezes eram coloridas, predominavam os tons de sépia, vermelho, azul, verde ou amarelo.

esc020 07-2258296303tUma outra característica das publicações da Bloch eram as capas, valorizava-se bastante as capas pintadas (mesmo que o conteúdo nada tivesse a ver com a mesma) que davam um tom “sério” a revista, essas capas vinham das versões magazine da Marvel, e para o título A Múmia Viva o número escasso de capas pintadas levou a redação a utilizar um recurso nada ético: Utilizar capas da Savage Sword of Conan, trocando o cimério por uma múmia, mas a editora experimentou a produção de capas nacionais montadas com fotografias feitas em um estúdio improvisado pela redação, a produção das fotos era bem feita e com certo bom gosto apesar do figurino e dos modelos se repetirem várias vezes.

As chamadas nas capas eram algo que nos dias de hoje soariam como surreais: cores vibrantes, balões de destaque, e muita, mas muita gíria da época e muitas vezes essas chamadas estragavam a arte das capas.

sexta-feira-13SEXTA-FEIRA 13 – Além das histórias curtas de horror, trouxe as aventuras de O Zumbi escritas por Steve Gerber e desenhadas por Pablo Marcos, onde Simon Garth voltava a vida para se vingar daqueles que causaram a sua morte. Apesar de suas histórias não terem grande impacto ele se tornou um personagem “cult” tendo seu nome reproduzido em diversas outras revistas, filmes e até mesmo numa escultura que representava um morto-vivo feita pelo artista plástico Marcelo Denny onde Simon Garth era o nome escrito na lápide.

AVENTURAS MACABRAS – Trazia histórias do Conde Drácula anteriores as da cronologia de Tomb of Dracula, além das aventuras não creditadas de Satanna a Filha de Satã, e de Lilith a Filha de Drácula produzidas pela dupla Steve Gerber e Bob Brow, além das tradicionais matérias e histórias curtas.

A TUMBA DE DRÁCULA – No início o título se dividia entre 2 edições de Tomb of Dracula e algumas histórias curtas de horror, para logo ter por completo apenas material da T.D. além  das já citada matérias presentes em cada revista. O roteiro de Marv Wolfman e os desenhos de Gene Colan formaram a química perfeita numa série que soube tratar com o devido respeito a figura de Drácula, com a interrupção do título na Bloch, Tomb of Dracula passou a ser publicada no ano seguinte pela Editora Abril na revista Terror de Drácula, que infelizmente durou poucos números deixando o final da saga da luta entre Drácula, Blade, e os Helsing em aberto para nós leitores brasileiros.

lobisomem-001LOBISOMEM – As primeiras aventuras de Jack Russel surgiram nas páginas de Marvel Spotligh passando depois para seu próprio título (Werewolf by Night), que foi de onde a Bloch retirou o material para a revista Lobisomem, os roteiros variavam entre Len Wein, Gerry Cowan e Marv Wolfman e os desenhos ficavam a cargo de Tom Sutton e Mike Ploog, este por sinal estava no seu ápice como desenhista. A curiosidade é que o Lobisomem foi o único a fazer um crossover com outro personagem da mesma linha (no caso: Tomb of Dracula) em uma aventura em duas partes dividida entre os dois títulos. A saga da maldição de Jack Russel também ficou incompleta, e acabou esquecida pelas editoras que se seguiram após a Bloch.

FRANKESTEIN – Esse é curiosamente um dos títulos do selo Capitão Mistério mais difícil de se encontrar, onde a Marvel deu uma sequência nas aventuras do monstro de Frankenstein longe do conceito original dos primeiros filmes e assim como em A Tumba de Drácula e Lobisomem, após alguns números uma equipe nacional assumiu suas histórias.

CINE-MISTÉRIO – Era a revista voltada em especial aos filmes de horror em suas amplas matérias que entregavam ao leitor o roteiro mastigado do filme em questão. Em termos de quadrinhos além das histórias curtas, o destaque eram as aventuras do Irmão Vodu escritas por Doug Moech e desenhadas por Tony de Zuniga. Os coloristas da Bloch insistiam em mudar a etnia do personagem que era um negro colorindo-o como se fosse branco. Destaque para as adaptações de A Terra Que o Tempo Não Esqueceu (Edgar Rice Burroughs) e O cão dos Baskevilles (Arthur Conan Doyle).

classicos-do-pavorCLÁSSICOS DO PAVOR – Era dedicada as quadrinizações de obras literárias de horror e ficção, seu primeiro número trouxe uma primorosa adaptação de Drácula – Bram Stocker feita a 4 mãos por Naunerle Forr e Nestor Redondo, nos números seguintes vieram O Homem Invisível, A Guerra dos Mundos e O Alimento dos Deuses (H.G. Wells), O Poço e o Pêndulo (Edgar Alan Poe), entre outros, cada qual com uma equipe diferente. As matérias publicadas eram geralmente biografias dos autores e reportagens sobre os filmes feitos (quando existiam).

A MÚMIA VIVA – Somente as 4 primeiras edições de A Múmia Viva trouxeram material estrangeiro oriundo da revista Supernatural Thrillers featuring The Living Mummy, com roteiros de Steve Gerber, Tony Isabela e John Warner e arte de Val Mayerick, foi publicada na íntegra a saga de N´Katu (a múmia viva) enfrentando Os Elementares em um arco de 8 edições com uma qualidade de roteiro e desenhos muito acima da média. Os Elementares voltaram a atacar anos depois nas páginas de Ms. Marvel (publicada aqui no Brasil na revista Superaventuras Marvel). A edição de nº 5 teve como destaque a quadrinização do conto ” A Maldição do Vale do Reis” e a partir do nº 6 em diante a revista ficou com os roteiros de R. F. Lucchetti e os desenhos de Shimamoto que apresentou uma múmia mais “ágil” em lutas dignas de qualquer capoeirista e a revista perdeu o título “viva” da capa.

historias-fantasticasHISTÓRIAS FANTÁSTICAS – Foi a que mais diversificou histórias, em suas páginas foram publicadas as aventuras solo de Blade o Faquista (ou Blade o Matador de Vampiros) escritas por Marv Wolfman e desenhadas por Gene Colan.

Morbius o Vampiro Vivo em excelentes histórias produzidas pela dupla Doug Moech e Sonny Trinidad que souberam explorar as dores e os conflitos de Morbius em busca de uma cura para sua maldição, enfrentando inclusive outros vampiros.

Salomão Kane teve suas aventuras publicadas em diversos números com direito a uma capa misteriosa onde ele aparece ao lado da Sonja a Guerreira.

O Exorcista em que para variar não os créditos não constavam em nenhuma de suas histórias, calcadas no sucesso do filme O Exorcista (The Exorcist – EUA – 1974), que apesar de tudo surpreendia tanto no quesito roteiro quanto nos desenhos, pena que a sub trama envolvendo a ex-mulher de Gabriel (o Exorcista) nunca teve sua conclusão publicada por aqui.

MOTOQUEIRO FANTASMA – Não passou da primeira edição, devido ao término do contrato com a Marvel Comics, publicando apenas as 3 primeiras histórias da revista Ghost Rider com roteiros de Gary Friedich e desenhos de Tom Sutton, o destaque dessas três aventuras publicadas fica para o fato do Motoqueiro Fantasma dominar melhor seus poderes conseguindo a partir de então criar sua própria moto com o fogo infernal ao qual dominava.

minimotoqueiro1Com exceção da revista do Motoqueiro Fantasma, as demais publicações não passaram de 16 edições, sendo logo canceladas, a exceção foi feita com os títulos A Tumba de Drácula e Lobisomem que passaram a publicar apenas material nacional com uma qualidade muito aquém daquela vinha sendo apresentada.

Após o selo Capitão Mistério a linha de quadrinhos de horror da Marvel foi praticamente esquecida no Brasil (salvo o já citado caso de Terror de Drácula), deixando vários fãs saudosistas. Quem conseguir alguma dessas revistas em algum sebo não deixe de ler as seções de cartas que apresentavam inúmeras pérolas dos editores em resposta aos leitores que faziam os mais absurdos pedidos obtendo respostas no mesmo nível.

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