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set 21

Vampirella

 

v1

Vampirella é uma garota. Quando nós mandamos a capa promocional para nossas distribuidoras, eles disseram:
– Impossível! Não distribuiremos isso!
– Por que não?
– Por que é uma garota, ela tem seios, ela tem coxas.
– E daí?
– As crianças não sabem disso!
– Ora, há apenas uma organização que eu conheço que acredita nisso.. o Código de Ética das Histórias em Quadrinhos.
– Você poderia… cobri-los um pouco?
– Não! por que se nós fizermos isso, arruinaremos com a personagem que Frank Frazetta criou. E ele é italiano. E Ele virá e matará vocês!

James Warren

Muito antes da escritora inglesa Tanith Lee escrever Sabella (Sabella or the Blood Stone), onde nos apresenta Sabella uma vampira espacial, nos quadrinhos já tínhamos a presença de uma vampira galáctica, cujo nome, Vampirella é uma combinação de Vampyr, título do filme: O Vampiro (Vampyr – 1932), do cineasta dinamarquês Carl Dreyer (1889-1968), com a terminação ella, de Barbarella.

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Vampirella é a personagem mais conhecida da Warren Publishing Company, uma editora de propriedade de James Warren, o responsável pelo ressurgimento do horror nos quadrinhos norte-americanos, após um hiato de quase dez anos. Seus magazines (formato adotado para escapar dos termos do Código de Ética): Creepy (1964) e Eerie (1965 – que gerou aqui no Brasil a saudosa revista Kripta), renovaram os quadrinhos, desde o formato até a escolha dos temas, não se restringindo às figuras tradicionais do horror como lobisomens, monstros e zumbis, mas mostrando o horror de nosso dia-a-dia, infestado de loucos, maníacos e psicopatas, seguindo na mesma linha das extintas publicações da EC. Além de conar com alguns artistas dessa empresa, entre os quais Frank Frazetta, John Severin, Al Williamson e Wallace Wood, a Warren deu igualmente oportunidade ao novos desenhistas de toda a parte do globo como: Auraaleon, Azpiri, Esteban Maroto, Luis Bermejo, Joaquim Blazques, Jaime Brocal, Leo Duranona, José Gonçalez, Pablo Marcos, Gonzalo Mayo, Isidro Mones, José Ortiz, Martin Salvador, Leopoldo Sanchez e Sanjulian.

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Era difícil fugir à tentação do visual criado para Vampirella:morena de rosto angelical, olhos claros e enormes, boca voluptuosa, trajando um sumário maiô vermelho que descobria a maior parte de seu corpo, além de botas e sutis ornamentos como os braceletes e os brincos em forma de asas de morcego, morcego este que estava sutilmente tatuado em seu seio esquerdo. Estreou em título próprio: Vampirella (1969). O logo da revista e as capas da revista ficaram a cargo de Frank Frazetta, os roteiros couberam a Forrest J. Ackerman, um dos maiores colecionadores mundiais de material sobre fantasia, ficção científica e horror, e coordenador da Famous Monsters of Filmland (revista sobre filmes do gênero, tbm editada pela Warren), o traje de Vampirella foi criação de Trina Robbins e como desenhista Tom Sutton foi o escolhido.

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Antes de mudar de editora, ter sua origem virada e revirada, ganhar e perder poderes e ser transformada numa mera vampira gostosa em histórias fracas (comparadas com as da primeira fase), a origem da Vampirella começou assim:
Originária do planeta Drakulon, um mundo onde os rios eram de de sangue, o alimento básico de seus habitantes. Nosso tão famoso Conde Drácula, também nativo deste planeta, pesquisando sobre Drakulon, descobriu que ele iria sair de seu eixo, e que os polos iriam se inverter, as florestas desaparecer, sendo substituídas por desertos e os rios de sangue secariam e, portanto todo o povo morreria. Avisou o Conselho Científico de Drakulon a respeito de suas descobertas; porém ninguem lhe deu ouvidos. Drácula, então, entrou em contato através da feitiçaria com uma antiga e justa deusa, a Invocadora, que lhe orientou como salvar drakulon. Entretanto, ao invés de seguir os ensinamentos da Invocadora, Drácula passou a servir ao Caos, o deus louco, que com seus sete demônios: Asmodeus, Demogórgan, Fursan, Moloch, Nuberus, Valefar e Zabylon, pretendia dominar o universo. Drácula foi enviado para a Terra e iniciou seu cruel reinado de sangue.

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Vampirella terminou vindo também para cá, uma vez que ficasse em Drakulon pereceria como os demais, tornando-se assim a última representante de sua raça como ela mesma se definiria: “Venho de um mundo chamado drakulon e sou da raça dos Vampiros. Posso transformar-me num morcego e preciso alimentar-me de sangue, como os humanos de água…. Sou estranha à Terra… mas não sou um monstro da noite, não sou um produto da superstição.. Última de minha raça, trago a recordação imperecível do mundo que era meu… Drakulon! As águas corriam quentes e profundas, mais vermelhas do que o vinho..Não existiam feras, existiam criaturas que se amavam e amavam a vida…Sou tudo quanto resta de um mundo que preferiu morrer a matar… Chamam-me Vampiro..Alguns me tem temor, outros me tem ódio.. pois sou estranha a todos.. Mas que as superstições não destruam a amarga doçura de Drakulon…Onde o Vampiro significava um ser gentile bondoso… Assim sobrevivi. E vivo..Tento restabelecer a gentileza e bondade perdidadas.. Sobreviverei…Recordarei as minhas raízes, a minha herança.. Sou a última da minha raça…Sou vampirella!”

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Uma vez na Terra auxiliada por um velho mago, Pendragon, Vampirella lançou-senuma desenfreada luta contra Drácula e as forças do Caos. Entre seus perseguidores, contou com dois descendentes do Dr. van helsing: Conrad Van helsing um médium cego, e seu filho, Adam Van Helsing, que se apaixona por Vampirella. Graças a líquido sintético preparado por Conrad é que Vampirella conseguiu controlar sua sede de sangue, porém o composto tem efeito temporário, devendo ser tomado a cada 24 hrs.
Dentre os roteiristas de Vampirella tivemos: Chad Archer, Gerry Bourdreau, Bill DuBay, Steve Englehart, Archie Goodwin, Budd Lewis, entre outros. Seus desenhos ficaram nas mãos de artistas como: Howard Chaykin, José Gonzalez, Gonzalo Mayo, josé Ortiz, leopoldo Sanchez, Tom sutton e Zesar.

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No Brasil, do material editado pela Warren apenas a editora Kultus em 1973 e a Noblet em 1977, publicaram algumas edições da série original. Inclusive, com histórias apresentando o início da carreira de Howard Chaykin que, em 1991, publicou a polêmica mini-série “Black Kiss”. Vampirella participou também de algumas aventuras de ROOK O Viajante do Tempo, personagem publicado no Brasil com sucesso nas páginas da revista Kripta, e teve um almanaque publicado pela mesma editora (RGE). Além dos quadrinhos Ron Goulart escreveu seis novelizações da personagem em 1976. No início dos anos 80 cogitou-se levar Vampirella para os cinemas com a modelo Barbara Leigh no papel-título, pois esta ja havia encarnado a personagem em várias capas e tinha uma legião de fãs, mas infelizmente o projeto acabou sendo engavetado.
Com a falência da Warren em 1983, Vampirella parou de circular, voltando anos depois através de outras editoras e totalmente reformulada, mas isso é outra história….
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Consulta bibliográfica: A Ficção Científica nos Quadrinhos – Marco Aurélio Luchetti

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