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set 25

A Saga de Xam

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Mesmo com um exemplar em mãos de Saga de Xam, não foi fácil escrever sobre este álbum, que foi a primeira HQ a ganhar o status de arte pelos críticos e publicações da segunda metade dos anos 60. São poucas e dispersas as informações disponíveis na rede sobre a obra e seus autores.

Em 1962 a revista “V-Magazine” começou a publicar Barbarella,de Jean-Claude Forest. O erotismo de Barbarella era algo novo para o quadrinho francês, que gerou certa polêmica. Então em 1964 o editor Eric Losfeld publicou Barbarella em formato álbum, e que causou escândalo pelo seu conteúdo criando o gênero “adulto” pela primeira vez para um livro em quadrinhos,mesmo com seu erotismo leve e da existência das Tijuana Bibles” antes desta data.

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Com o sucesso de Barbarella, em 1964 Losfeld decidiu expandir suas publicações penetrando no então novo mercado de quadrinhos adultos. Na França, os quadrinhos em formato de revista ou tiras eram considerados como voltados ao público infantil, podendo sofrer vetos da censura da época em todo mundo, devido ao famigerado “Comic Code”, que para evitar problemas com o mesmo, Losfeld valeu-se de uma brecha na lei de que não havia qualquer tipo de veto previsto para edições em formato magazine ou livro. Apesar de serem mais caras eram bem distribuídas tornando-se de fácil acesso aos leitores. O resultado desta abordagem permitiu o sucesso de outros títulos através de sua editora, a “Le Terrain Vague”, cujos principais títulos foram:

Barbarella, de Jean-Claude Forest – 12/1964

Lone Sloane, de Philippe Druillet – 01/1966

Scarlett Dream, de Gigi e Molitern – 06/1967

Jodelle, de Pascal Thomas e Guy Pellaert – 10/1967

Saga de Xam, de Jean Rollin e Nicolas Devil – 12/1967

Pravda, de Pascal Thomas e Guy Pellaert – 01/1968

Epoxy, de Jean Van Hamme e Paul Cuvelier – 04/1968

Valentina, de Guido Crepax – 01/1969

Phoebe zeit-geist (les aventures de), de Michael O’Donoghue e Frank Springer – 07/1969

Cyber (Les aventures de), de Gérard Nery e Jean-Claude Poirier – 10/1969

Xiris, de Serge San Juan – 02/1970

Kris Kool, de Caza – 11/1970.

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Publicada em dezembro de 1967 por Eric Losfeld, Saga de Xam é um dos mais raros e autênticos exemplos de quadrinhos psicodélicos, o que representa inúmeras atividades culturais características da segunda metade dos anos sessenta.

Narrado em um misto de ficção científica e erotismo, Saga trata de problemas raciais, violência e não-violência. Uma extraterrena encarregada pela Grande Senhora do Planeta Xam vem à Terra em épocas diferentes, para aprender sobre o passado de violência e sobrevivência da raça humana, e estabelecer uma proteção psíquica contra os invasores do seu planeta. Mas na Terra deixa-se seduzir e adquire os vícios dos homens e, fascinada pela força e poder, deseja tornar Xam um planeta forte e vigoroso, mas sem violência.

As belas pranchas de “Saga de Xam” foram originalmente desenhadas em formato grande, acima do padrão usual, onde além dos desenhos foram escritos diálogos e legendas em letras minúsculas.

Impresso em papel de 300 gramas, com tiragem limitada em 5.000 exemplares, e nunca reimpresso, tornou-se extremamente rara e tem sido um dos álbuns em quadrinhos mais procurados por colecionadores em todo o mundo.

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Escrita pelo cineasta e roteirista francês Jean Rollin – Jean Michel Rollin Le Gentil – como um dos pioneiros no gênero terror-erótico, focou sempre no surrealismo através de imagens sensuais e macabras em seu gênero favorito: Vampiros.

Saga de Xam, foi a sua primeira e única experiência como escritor no gênero das HQ’s. O erotismo apresentado foi um ensaio do que ele iria aplicar futuramente em seus filmes. Mais tarde escreveu dois artigos para a revista “Midi-Minuit Fantastique” editada por Eric Losefeld, e em 1993 publicou o romance “Les Deux Orphelines Vampires”, que posteriormente virou filme.

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Nicolas Devil (Nicolas Deville), trabalhava com Rollin auxiliando-o em seus curtas-metragens, que ao notar o seu talento como desenhista, incentivou-o a procurar Eric Losfeld com a proposta de um álbum feito por ambos. Na editora acabaram por conhecer o desenhista Philippe Druillet que colaborou na arte do álbum e que, posteriormente, ilustrou os cartazes dos filmes de Rollin.

A arte de Devil foi sem dúvida alguma a razão do sucesso de Saga de Xam, que se valeu do uso da técnica de cadavrequix*, com a participação dos seguintes artistas: Phippe Druillet, Barbara Girard, Merri e Nicolas Kapnist. Nunca antes o uso da metalinguagem foi utilizado de forma tão ampla como neste álbum, em que cada capítulo tem sua peculiaridade nos símbolos, cores, desenhos e textos, sem perder o fio condutor da história.

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Diversos diálogos foram escritos em trës códigos diferentes, e ao final do álbum foi dada a equivalência de cada símbolo conforme nosso alfabeto. Para os textos escritos em caracteres minúsculos, e auxiliar a sua leitura, ao comprar o álbum o leitor ganhava uma lupa como brinde.

Nicolas Devil conseguiu conjugar os principais estilos gráficos e artísticos que estavam em voga nos anos sessenta, para compor esse álbum que sintetiza o que havia de melhor na vanguarda da pop-art até então, e ainda, com essas imagens, contar uma história que com seu texto expressava toda a filosofia de paz e amor

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Eric Losfeld faleceu em 1979, e sua esposa Pierrette deu sequência ao seu trabalho, dando lugar posteriormente a sua filha Joelle. Nicolas Devil, cujo único trabalho registrado é Saga de Xam, vive hoje no interior do Canadá onde trabalhou como professor de filosofia.

 

* Técnica adotada por artistas surrealistas para provocar a livre associação de imagens fora do contexto habitual. Trata-se de um jogo gráfico sobre papel dobrado. Consiste na realização de um desenho coletivo, sem que nenhum dos intervenientes saiba o que os outros fizeram, aproveitando apenas os traços de ligação deixados sobre as dobras do papel. Ao desdobrar, verifica-se, com surpresa, a relação inesperada entre as figuras desenhadas.
Pelo seu caráter insólito, humorístico ou até provocativo, esta técnica proporciona resultados mais surpreendentes se o desenho for intencionalmente figurativo. Sugere-se que os trabalhos sejam pintados pelo grupo, numa 2ª etapa, já depois de observado o conjunto das ligações gráficas, cujo resultado foi imprevisível. A cor funcionará como elemento de ligação, tornando o desenho mais nítido.
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http://it.wikipedia.org/wiki/Saga_de_Xam
http://intercom.org.br/papers/nacionais/2002/Congresso2002_Anais/errata_2001_1.pdf
http://www.answers.com/topic/jean-rollin
http://www.ciencia-ficcion.com/comics/lonesloane.htm
http://pilsenoubock.blogspot.com/2007/08/breve-apanhado-da-histria-dos.html
http://fr.wikipedia.org/wiki/%C3%89ric_Losfeld
http://www.redealcar.jornalismo.ufsc.br/cd/…/historia%20da%20midia%20visual/GT%20Midia%20Visual%20Flavio%20Calazans.doc
http://www.bdabd.com/bdxm/editeur/eric.losfeld/detail.bdabd
http://www.coolfrenchcomics.com/pravda.htm
http://www.shockingimages.com/rollin/interview.htm
http://cadavreexquis.com.sapo.pt/
http://www.bedetheque.com/

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